Tuesday, June 19, 2007

[Queísmo]








Que a vida seja o começo de toda a desaventurança humana.
Que o amor seja o fim de toda a banal existência individual.
Que a paixão seja a interpérie de todo o momento extasiante.
Que o pensar seja a desenvoltura de toda a obra humana.
Que o questionar seja o fato primordial de todo real ser humano.
Que o aprender seja a vivência essencial de toda alma.
Que a amizade seja o motor perpétuo familiar.
Que o tempo seja o coadjuvante mas nunca o principal.

Que o problema seja sempre parte da solução.
Que a morte nunca seja o escape.
Que a solidão seja eternamente temporária.
Que a arte seja eterna expressão.
Que o corpo seja sempre o melhor instrumento humano.
Que o sexo não seja posto em pedestal.


Que o viver seja sempre o nosso próprio.
Que o sussurro seja sempre o comunicar dos amantes.
Que o beijo seja a melhor comunicação entre os apaixonados.
Que o olhar seja infinitamente mais importante que a palavra.
Que o preconceito seja abolido.
Que a voz seja ouvida.
Que o fantasma da nossa existência não caia no esquecimento.
Que o lugar mais meu seja eternamente meu.


Que o significado seja próprio.
Que a mulher seja sempre feminina.
Que o homem seja sempre protetor.
Que o susto nunca seja assustador.
Que o acidente seja sempre pressuposto.
Que o suicídio seja sempre acidental.
Que a morte seja possivelmente ocasional.

Wednesday, June 13, 2007

[Crescer]




Tenho que ir. Já faz hora.
Já faz hora de acordar sozinho
de aprender a comer.
Já são horas de brincar de coisa séria
e não entristecer por idiotices.

Está no tempo de aprender a ser gente
e não mais um mísero agente.
Deixar de ser uma voz passiva e passar a ser
ativa.


Vezes de apaixonar-se
sem ser Édipo.
De gostar-se
sem ser Narciso
De vencer
sem ser Aquiles.


O tempo passa...
Veja! Passou.
Nem vi. Foi.

Thursday, June 7, 2007

[Finalmente]





Com o tempo a gente começa a aprender certas coisas que antes não sabiamos. E vamos aprendendo, aprendendo e aprendendo numa freqüência que parece não ter fim. Mas eu tenho a impressão que de tempos em tempos temos flashs que em poucos segundos nos fazem entender coisas que estivemos remoendo por tempos. É num pequeníssimo segundo que recobramos a consciência, é num espaço infinitesimal que acordamos e nos damos conta de nós mesmos, nossa posição, do que acertamos, erramos e aprendemos.


Cresci. Sei que cresci. Aliás, crescer é algo que crianças fazem. Já não era mais criança, portanto, amadureci. É fato: o mundo ficou mais feio, mas ao mesmo tempo mais vivível.



Os sonhos de criança se desenvolveram. É algo simples: Antes, estava dirigindo um carro numa manhã com neblina. Dirigia devagar, nunca ultrapassava os 40km/h, e tudo a minha frente estava enevoado, obnublado, difícil de ver; a viagem era mais fácil, mas eu sempre estava inseguro. Hoje, toda a neblina passou e posso ver a estrada. Minha velocidade é sem limite, mas ainda permaneço na casa dos 120km/h, mas é tudo muito claro e eu posso ver que o caminho a minha frente é mais tortuoso do que eu achei que fosse. E com toda essa velocidade, a viagem acaba sendo mais perigosa, mas finalmente tenho mais segurança em mim mesmo.


É impossível não crescer, é impossível não perder a fragilidade infantil, a inocêcia pueril. Estou perdendo o medo que tinha quando era criança: o escuro não me assombra mais, relâmpagos não me assustam.


Meu conceito de amor está mudado. Amizade se transformou em algo totalmente diferente (mas os amigos de ontem, continuam sendo o de hoje). O sexo desceu do pedestal, o palco abriu as cortinas e o espetáculo finalmente iniciou. Acabaram-se os ensaios, foi o fim dos erros banais.
Mas nem todos os meu redor fizeram o mesmo. Mas são apenas crianças, e não deve a mim o dever de ensiná-los. Caro amigo que lê isso: não se ensina como amadurecer, mas pode-se fazer isso da melhor ou da pior maneira – escolha a sua. Estou me abstendo de várias coisas, de várias pessoas, confesso. De muitos isolado, de outros irritado, e da maioria, cansado, fatigado.


E estou confiante. É mais reconfortante quando se pode olhar para frente e dizer tudo o que planeja fazer e perceber os caminhos necessários a isso. Eu vinha estando ‘aéreo’ por alguns dias, mas agora entendi o porquê. Foi melhor assim. Agora entendo. Agora vejo.


Sei que esse texto não vai ser entendido por muitos (isso se houver alguém que possa entendê-lo além de mim). Mas é assim que é. É assim.



Tuesday, June 5, 2007

[...]



Sempre o mesmo
sempre o peso
sempre o caso
sempre o fato
sempre o choro
sempre o mesmo.

Nunca o contra-ponto
nunca o fogo
nunca o coro
nunca o mesmo espaço
nunca o gajo
nunca eu mesmo

O flexível
o maleável
o (in)substituível
o tangível
o compreensível
o eu mesmo.

Tese, antítese, síntese: Eu.


Murilo Reis

14/03/2007

23h21min

Friday, June 1, 2007

Blue


Bem, eu prometi que ia colocar um post. Certo que o fiz e ele está guardado. Mas hoje resolvi postar outro, algo que eu fiz, um pouco mais antigo, mas voltei a me sentir assim.


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Então você nunca esteve blue

Sou a escória. Sou a escória do meu mundo, um lugar onde só vivo eu.
Sofro por não ter aquilo que nunca tive e por não ser aquilo que nunca fui.
Pobre desilusão minha;
Leviano ao pensar que algum dia poderei ser algo dos quais pensei.
Mais parece-me um fardo a ser carregado, mais parece-me uma vida inteiraque será composta e decomposta em mim.
Corro sem ter destino e tenho corrido e tenho fugido e não tenho chegado à lugar algum.
Meu norte converge ao sul, meu sorriso converge à tristeza.
Nunca fui fidedignamente alguém. Sou apenas esboços, sou apenas cópias.
Copio em mim o que me faz cair de amores no outro.
E o outro continua a ser outro. Nunca será o mesmo, nem a mesma; imagem.
Escrevo-me como uma melodia. Desarmonica, descompassada, desajustada.
E obrigue-me, obrigue-me a mudar. Force-me, estrangule-me.
Dê-me bofetões à cara.
Mas nunca mais deixe-me fantasiar corpos. Nunca mais faça-me teu.
Odeio não ter controle sobre mim. Sou marionete, sou marionete nas vossas mãos.
Mas com a tristeza de uma criança, meus cordões comecei a cortá-los.
Dilaceram-me a carne, sufocam-me em corpo.
Quebro meus juramentos. Mas perdoe-me, inocente-me. Com ligeira precisão voltar-me-ei ao curso que jurei tomar.
Que todos sofram, em verdade desejo, que todos sofram. Moderadamente.
Estou preso a um ser, bloqueado por um eu inexistente.
E a dor dilacera. E continua a dilacerar.
É carne clamando por carne. É o superficial.
É reles, incompleto.
Até mesmo o prazer momentâneo torna-se. E mais uma vez superficial.
Cantam-me loas, sem ao menos saber a quem dirigem-se.
E proibem-me de sangrar. Por isso, em segredo, tenho hemorragias diárias.
Tenho revertérios e tenho dilacerações. Em segredo.Drogo-me de mim mesmo. Sou droga, sou veneno. Mas só mato a mim.
Como gostaria de parar de envenenar-me, mas inconcientemente, não consigo.
Mato-me aos poucos. A cada dia tenho um dia a menos.
Será o orgulho da mocidade ou a tristeza da velhice? Não sei.
Como também não sei até onde meu nervos suportam.
Mas até onde puder seguir, seguirei.
E quem sabe, algum dia em minha impróspera vida, eu venha a descobrir onde eu me escondo.

Murilo Reis21/03/2007 23h08min

Monday, May 7, 2007

The return





Olhe... E eu que achava que tudo isso ia acabar com meus dezesseis, no máximo dezessete anos. Já estou beirando meus dezenove e pelo visto nada de acabar.
É sentir-se o estranho. É sentir todo mundo olhando para você culpando-o por algum crime que você nunca cometeu, por algum pecado que nunca pensou em fazer. É um tal de culpar-te por algo que não existe. É uma coisa de olhar-te como se fosse o primeiro exemplar de uma raça alienígena totalmente nova e desconhecida.

Vivo rodeado assim. Talvez seja um pouco de paranóia minha, talvez seja eu sempre querendo um pouco de atenção, mas creio piamente que sempre tem alguém me apontando no meio da rua e falando para a criança que passa ao lado: “Olhe! É ele. Credo, que esquisito”. Sempre tem algum burburinho atrás de mim que quando resolvo conferir ele cessa imediatamente. Sempre fiquei intrigado com isso.

Infelizmente isso tem partido para ‘panos limpos’ atualmente. Não têm mais falado de mim pelas costas, mas sim em frente, praticamente em nu frontal. E ficar nú na frente de absolutos desconhecidos me constrange.

Eu gostaria de simplesmente gritar e mandar todos irem pastarem no mesmo pasto que as mães deles pastam, mas eu só faço isso em pensamento. Sou covarde, sou loser. Faço em pensamento, álias, em pensamento chingo tudo e todos, critico todos e tenho planos mirabolantes – acho que eu assistia muito ‘o fantástico mundo de bobby’ quando criança.

E quando o burburinho cessa, eu gostaria, juro que gostaria, de na verdade saber sobre o que de mim falavam. Ao menos para ter noção qual é minha bizarrice davez, qual foi minha cagada tri-homérica dessa vez. Creiam: sempre tem algo de errado comigo. SEMPRE. Parece praga, mandinga barata comprada no camelô; mas sempre tem.

Meus amigos as vezes me contam o que é (obrigado, Diego). Nahora dáuma puta vontade de sair correndo, ou de encontrar com quem falou de mim no meio da rua só para chamar os amiguinhos ‘lutadores’ que todos temos (sabe-se lá quando será necessário) e simplesmente apontar e dizer: “É aquele”. E ficar lá atrás, só rindo vendo o *&%$#@ se ferrando e sendo quebrado! Eu sei que força bruta é algo tão primata, muito selvagem, mas dá um puta prazer ver o infeliz todo quebrado, rebentado por aí... Ah, como dá.

Mas vingança existe. Sim EXISTE. E não ficará barato. Foi-se, ao menos, o tempo em que eu deixava tudo barato (Eu já fui mais loser ainda... u.u). Hoje em dia, digamos que meu nível de malvadeza têm aumentado em progressão geométrica. Vertiginosamente (Que advérbio foda! *.*).

Além da vingança momentânea, óbvio, terá uma outra, a longo prazo. Mas a outra será para eu reencontrar cada infeliz pessoa daqui há aproximadamente uns dez anos. Quero olhar para os indivíduos de cima até embaixo e fazer aquela cara blasè: “Você é só isso?”. Claro que desejo fazer isso. Fazem isso comigo hoje em dia. Por que não haveria eu de fazer? Chega, That’s enough.

É... E pelo jeito isso ainda vai conitnuar por um tempo. Talvez eu predestine esse tempo até. É... Meus amigos entenderam essa frase. Minha fase tem data de validade. E tomara que a data esteja certa...
Mas apesar de toda a raiva que eu tenho sentido agora, por atualmente, existe toda uma carga de ‘bulling’ presa aqui dentro. O de sempre ser o esquisito e de nunca ter sabido como lidar com isso. Nunca, absolutamente nunca eu soube como lidar. Eu nunca fui muito bom em resolver meus conflitos.

As vezes achoq eu é um pouco de inveja. Nãos ou um cara foda, mas tenho alguns atributos que talvez tenham inveja por isso. Mas eu não creio que eu seja tanto assim, que eu me ‘dê ao luxo’ de ter invejosos. Afinal, ainda sou um mísero merda, mas material orgânico em transformação! :D

É, acho que é isso. Fazia tempo que eu não escrevia dessa forma por aqui. Mas deu vontade. E acho que nunca fiz um post tão informal assim. É, ficou bom, mas de vez em quando eu volto para o formal, tá?!

Bem, se aceitam uma sugestão de música lá vai: The devlins – Waiting
Retirada do primeiro episódio de uma série que acabo de começar a assistir: Six feet under. Gostei Muito. Vale a pena.

Até o próximo.

Thursday, May 3, 2007

Fotográfico

Desta vez farei um post diferente.

Fiquei um longe tempo sem postar pensando em algo que gostaria de colocar aqui.

Cheguei à conclusão: Esse será um post fotográfico. Conterão algumas várias fotos e apenas uma única palavra de legenda sob cada foto.
Escreverei o que penso da foto, a primeira palavra que me vier à mente.




Dentro.



Liberdade.



Vida.



Fim



Vontade



Indisponível.



Vida



Meta



Exacto.



Futuro.



2015