Thursday, October 29, 2009
Wednesday, September 23, 2009
[Confessions on a blog floor]

" Tenho medo de já ter perdido muito tempo. Tenho medo que seja cada vez mais difícil. Tenho medo de endurecer, de me fechar, de me encarapaçar dentro de uma solidão - escudo".
Caio Fernando Abreu
É, Caio, confesso ter esse mesmo medo de você. Medo de que a vida tenha me tornado uma pessoa dura, um avião sem asas, ou alguma coisa inexplicavelmente fora de mão mas que pode ser conparável.
Talvez seja devido a esse medo que tenho estado precavido disso tudo. Descobri que o melhor é viver demais, o melhor é sofrer e aprender demais. Talvez nem tudo sejam flores, mas até alguns espinhos passam a ser interessantes quando não se fura os dedos neles. As coisas, quando doem muito, marcam. Quando doem pouco, lembram.
Não que tudo tenha estado melhor, porque obviamente não está e seria pura ingenuidade minha dizer que tudo finalmente se ajeitou. Mas devo dizer que já não sofro mais. Devo dizer que o que me doi agora é muito menor comparado aquilo que doia. Acho que é melhor assim, nem tudo pode ser da maneira como queremos que seja, mas obviamente o que acontece é sempre o melhor que podemos esperar que aconteça. Afinal, seria inutil esperar que tudo pudesse ser diferente. Claro que podia, mas já não pode mais e não há nada de diferente que possa ser feito.
O tempo passou e as coisas passaram. Eu passei. Eu evoluí. E os outros? Bem, deveras estranho querer que todos sejam igual a você. Estranho não, a melhor palavra seria ingênuo. Mas é de se esperar que chegam perto daquilo que você é. Não nas coisas que gosta, muito menos nas coisas que faz, mas é humano esperar que duas, três ou mais pessoas estejam num mesmo grau de maturidade, de expectativa que você. Afinal, não é de se pedir demais que um adulto aja como tal.
Tenho descoverto coisas novas, que talvez nem sejam tão novas assim, mas foi agora que me lembri delas. Acho que tenho uma queda por finais de ano. São geralmente muito mais interessantes do que o começo. Este começo de ano foi deveras curioso, um mundo novo se abriu na minha frente e eu resolvi abraça-lo, e ao mesmo tempo enfrentá-lo, desbravá-lo. Mas dentro de mim, as coisas foram diferentes. Por muito tempo algo me pertubou e eu não soube dizer o que era. mas agora sei porque deixei isso de lado e tenho estado muito melhor. Igual ao que aconteceu ano passado. Talvez o ciclo de Brahma nem esteja tão errado assim.
Quero tentar coisas novas e descobrir o que mais me faz bem. Coisas normais, exóticas, supérfluas. Passar a noite acordado estudando mas com um amigo ao lado é bom. Comer por obrigação é ruim. E por assim segue a vida. São tantas coisas boas a se descobrir, tantas coisas ruins a se experimentar. E desejo todas. Black or White.
As coisas boas da vida devem ser compartilhadas e guardadas no fundo do heart.
Sabe, o melhor de tudo sou eu. Minha valorização chegou e quero que tenha chego para ficar. Porque eu sou o melhor que posso encontrar e querer para mim. Além de poder ser o melhor que se pode ser porque para mim, eu devo me bastar e eu me basto. Me basto porque me gosto. Porque me amo (finalmente, ein pandinha).
Por hoje é apenas isso. Ou talvez seja mais que isso. restam tantas horas ao longo do dia. E como dizem há séculos: Carpe Diem.
Monday, August 24, 2009
[Painful]
"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
Caio F.
Não queria te pedir o que você não tinha, ou o que não tem. Não te peço nada de fora, nada de além porque do além já basta toda a metafísica incompreendida em milhares de livros de filosofia. O que eu queria te pedir era tudo que você tinha porque tudo, que um dia eu tive, e que hoje não tenho mais, eu te dei. Por isso hoje não tenho mais. Por isso essa ausência grande dentro de mim. Ausência de vida porque já não tenho, e nem quero ter, uma vida única.
Tudo que eu quis foi partilhar, compartilhar. Tudo que eu quis era que você entrasse pela porta da frente e fizesse uma cópia da chave. E você entrou. E você ficou. E eu? Eu nunca entrei, eu nunca pude fa\er nada, tudo que eu fiz foi continuar onde eu estava com a unica e singela diferença de ter você ali junto comigo. Mas não vi o novo. Não vi o sol lá fora nem tive noção de como era a tua decoração, de coração.
E essa dor que não passa? Deus, como um bisturi doeria menos. Você poderia ter me cortado. Eu teria ficado complascente mas nada além disso nos teria acontecido. Mas essa tua ausência me doi muito mais. Me doi e eu não consigo sair dela. E a culpa é sua. Porque quem não me deixou entrar foi você.
E perdoar? Perdoou e já perdoei. Mas para não passar por isso de novo. Não basta só ajoelhar nos meus pés e dizer "Cara, me desculpa". Não basta só isso para que você espere nada mais do que um dia e repita a coisa da mesma maneira como havia feito. Ou pior, como tem feito agora, de uma forma muito maior de uma forma mais completa.
Foi como um crime perfeito. Eu sei o que você cometeu mas nada nesse mundo me faz conseguir provar isso que você fez. Você não deixou rastros você não deixou provas. Você só me deixou aqui sozinho. E eu fiquei. E eu chorei.
Mas e agora? O que farei eu? Regar o jardim malfeito ou destruir e começar tudo de novo?
Saturday, August 22, 2009
Tuesday, August 18, 2009
[Hilda Hilst - 2]
- É lua cheia. A casa está vazia –
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- é lua nova –
e revestida de luz te volto a ver.”
Monday, August 17, 2009
Friday, August 7, 2009
[Te escrevo]
Você que me vê assim, de uma maneira que nem eu mesmo me vejo. Isso é para você que sabe que eu sempre estarei junto de você, não importa o que aconteça, porque eu te amo tanto que não consigo nem pensar numa vida longe da tua. Porque afinal, não temos mais vidas separadas, mas apenas uma que compartilhamos.
Isso é para você que sabe todos os meus defeitos e os ama tanto a ponto de nem achá-los mais defeitos, mas pequenas particularidades que me fazem eu ser eu. Justamente você que me acorda num dia de chuva e me pede para te abraçar porque você tem medo de trovões e que, quando eu te abraço, diz que agora está tudo bem porque nos meus braços você se sente confortável .
Claro que é para você, que me ajudou quando eu nem sabia mais para onde estava indo e de repente você me mostrou o caminho perfeito para eu seguir. Para você que ri comigo, que chora comigo, que sofre comigo, que sente prazer somente comigo. Para você que sabe que o importante não é mais a carne, que tudo isso já passou desse nível e a única coisa que nos importa é que estejamos juntos por todo o sempre, porque a carne já deteriorou a tempos devido ao nosso amor flamejante que a consumiu por inteiro.
Para você cuja ausência me consome e te consome também porque tudo que eu sinto você também sente. Para você que se dormir longe de mim abraça o travesseiro numa tentativa fútil de apagar minha ausência. Isso é para você que mudou sua vida inteira para me dar um espaço e deixar eu entrar nela de uma maneira que você nunca havia feito e de uma forma tão aberta que só se pode fazer uma vez na vida, mas você confiou que era para ser para mim e a abriu para me deixar entrar e me apossar como uma visita que resolve ficar para sempre.
Olha, escrevo isso para você para que saiba tudo aquilo que espero de ti no dia em que eu te encontrar. Nossos destinos estão traçados e você talvez nem saiba disso, ou talvez, ainda, você diga a mesma coisa só que nenhum dos dois ainda ouviu o que o outro tem a dizer. Me deixe falar e deixe eu te escutar porque é tudo que eu te peço. Vem para mim. Na hora certa. Mas vem.


